Doença Psíquica conduz à Jornada Espiritual 
¨C Estabelecendo uma dura e resistente personalidade anti-stress através da prática budista

por Maggie Sheie-Lurie

[Este é um extrato  de um discurso proferido em uma convenção para a Aliança Nacional de Pessoas Mentalmente Doentes (NAMI) e que foi mais tarde reimpresso no World Tribune.] 

Espiritualidade é um aspecto na recuperação de males psíquicos severos que tem sido ignorada por muito tempo. Minha experiência com doenças mentais tem levado-me em um jornada espiritual que eu não poderia prever. 

Esta experiência começou há exatos 20 anos quando eu era caloura na faculdade. Ainda que eu tivesse grandes expectativas em relação à faculdade, dentro de poucos meses eu comecei a ter sérias dificuldades com depressão e ansiedade. Perdi a habilidade para concentrar-me e escrever coerentemente, Eu sentia como se uma enorme neblina cinza me envolve-se, embaçando minha mente  e separando-me do resto do mundo. Após somente um semestre, abandonei meu curso pela incapacidade de realmente conseguir acompanhá-lo. 

Durante muitos anos seguintes  experimentei períodos de profunda depressào. Somente após um episódio maníaco em 1979 eu fui re-adignosticada como maníaca-depressiva. Na época, eu conseguia e perdia uma série de empregos, voltei ao colégio e abandonei-o novamente, minha família preocupava-se comigo e muitos de meus amigos pararam de associar-se a mim. Eu também preferi afastar-me deles e considerei a hipótese de suicidar-me.  O fato não era que eu não queria ficar melhor, ou que eu quisesse simplesmente manter-me assim. Eu fazia tudo o que era dito a ser feito para que melhorasse.

Consultei um psiquiatra, tomava minha medicação, ia ao hospital e tentava tão duramente quanto eu podia atuar na escola e no trabalho. Algumas vezes as coisas pareciam melhorar, mas essa situação de instabilidade nunca terminava. Eu não tinha senso de propósito ou esperanças para o futuro. Eu não tinha como não aborrecer-me e deixar de preocupar-me com meu futuro  toda vez que conseguia um novo trabalho. Fui  criada em um lar muito religioso e minha fé muito mportante,  mas meus esforços para lidar com a doença através da fé somente, ou mesmo com a fé junto à psiquiatria eram menos do que frutíferos. Minhas tentativas para receber apoio e compreensão de minha igreja eram frustrantes e alienantes.  Esforcei-me para lidar com a ausência de respostas e com filosofias conflitantes  e com conselhos obtidos através de minha igreja, através dos psquiatras e através dos amigos. Estava tão confusa sobre o que ou em quem acreditar¡­ eu pensava: bem, de qualquer maneira que diferença faz?

Em 1979 mesmo uma amiga disse-me sobre o Budismo de Nitiren Daishonin e sobre como isso poderia abilitar-me a ter acesso a uma sabedoria inerente ao meu ser, de modo a tornar-me capaz a ter as melhores escolhas em minha vida. Essa amiga explicou-me que cada pessoa possui a habilidade para superar quaisquer obstáculos e seguir rumo à felicidade. Essa mesma amiga disse-me que através da prática do Budismo eu poderia converter meus problemas em uma força propulsora de grandes benefícios a mim mesma e aos demais. 

Eu estava intrigada e impressionada pela auto-confiança e siceridade dessa amiga.Finalmente havia alguém em quem eu confiava oferecendo-me uma estratégia para superar minhas dificuldades e sem custo algum,  não era invasivo e eu não tinha que viajar ou ser admitida  em algum programa específico. Logo, o que eu tinha a perder? 

Uma citação do fundador desse budismo especialmente chamou-me a atenção e falava-me justamente sobre minha situação: uma mente que é atualmente encoberta pela ilusão originada pela escuridão inata da vida é como um espelho turvo, mas que uma vez polido tornar-se-á claro, refletindo a iluminação da verdade imutável. Incite, provoque uma profunda fé e seja responsável por polir seu espelho(sua mente) noite e dia. Esta frase diz que a maneira de polir o espelho na mente de alguém dá-se através da prática consistente do Budismo.

Quando comecei a praticar eu notei um grande crescimento em minha vida. Eu sentia-me melhor a respeito de mim mesma, alimentava-me de forma mais regular e comecei a exercitar-me. Reconheci o valor do ¡±Lithium¡± que havia sido prescrito e a que eu havia inicialmente resistido a não tomá-lo por influência de amigos.

Há dois conceitos budistas que são particularmente auxiliadores para mim. Um deles é de que a resposta as minhas questões estão contidas dentro de mim (e não fora), e que alçando  responsabilidade por todos os aspsectos de minha vida, eu poderia mudar até mesmo as partes das quais eu não gostava em mim mesma.

Essas idéias deram abertura a um novo  mundo para mim. Percebi que eu havia olhado  virtualmente para fora de meu ser por toda a minha vida, sempre procurando por validação, identidade e um senso de auto-valor concedido por meus pais, pelos meus professors, pelos psiquiatras e até por Deus. Era como seu eu tivesse que pedir emprestado a estima de meus pais sem questionar nada. Eu não me sentia bem a respeito de mim mesma a menos que eu fosse recompensada de alguma maneira. Eu esperava que meu psiquiatra dissesse-me o que estava errado e como corrigí-lo. E quando minha vida estava realmente uma bagunça, eu esperei que Deus me salvasse.

Há um término psicológico que fala sobre a dura e auto resistente personalidade que enfatiza que todos encontram acontecimentos estressantes na vida , mas as peculiaridades da personalidade  determinam se todo aquele stress nos levará ao crescimento ou à psicopatologia 

Os traços que habilitam alguém a converter stress em crescimento encluem o que chamamos de três C¡¯s em psicoterapia: comprometimento, controle e desafio (*a palavra desafio em Inglês começa com a letra C). 

A prática do Budismo  inclui todos estes três conceitos. E requer que esse alguém comprometa-se com o crescimento e felicidade de si mesmo e dos demais 

O conceito de controle é muito importante no Budismo porque ensina que cada um é 100% responsável por mudar suas circunstâncias. E o espírito de desafio é também algo central no Budismo  para que cada um aprenda a observar ambos o lado positivo e negativo de cada situação como um valoroso trampolim para um crescimento mais além do usual. 

Através da aplicação desses conceitos em uma base diária, minha vida tem tornado-se dramaticamente diferente do que  nos anos seguintes ao meu primeiro colapso. Eu tenho aprendido a valorizar minha própria voz interior em vez de  procurar aqueles chamados ¡°experts¡± para que digam o que necessito  para sentir-me melhor. Tenho elaborado um comprometimento  comigo mesma  sobre recuperar-me tão bem quanto possível  e ajudar outros a fazerem o mesmo.

Recuperação diz respeito a muito mais do que ingerir a medicação certa. Quando eu descobri que tinha hipoglicemia com estados alérgicos múltiplos ligados à alimentação, mudei drasticamente minha dieta, mesmo que meu medico dissesse que isso não faria diferença em meus humores. Quando percebi que muito de minha depressão  ocorria nos meses de inverno, eu investi em um conjunto de luzes terapêuticas, mesmo que o médico dissesse que eu apenas deveria aumentar minha dose de medicação no inverno. 

Isto colocou-me em uma boa e estável condição até Novembro do ano passado, quando eu tive que parar de tomar Lithium porque a medicação estava causando-me problemas no fígado. Bem, tenho estado apta a sobreviver e lutar pela vida sem  a medicação por mais do que um ano para a grande surpresa de meu médico. Penso que meus esforços em direções diversas tornaram isso possível. 

Comprometer-se com os demais e com uma causa mais ampla além de si mesmo é especialmente importante àqueles com doenças psíquicas. Nós temos a tendência a ser auto-absorvidos por nossa própria vida, algumas vezes, ignorando a necessidade dos demais e as respectivas contribuições que nós podemos fazer. Esta auto-absorção isenta-nos de sermos recompensados por  trocas humanas e de formarmos vínculos com a comunidade, o que considero ser essencial ao nosso próprio bem-estar. Desenvolvendo o espírito de desafiar as difíceis circuntâncias tem sido muito valoroso para lidar com problemas no trabalho, nas relações inter-pessoais e com as finanças.

Agradeço a esses desafios inerentes¡­ Graduei-me na faculdade com um Bacharelado em Psicologia, estou felizmente casada por 16 anos  e trabalho em período  integral já há 22 anos. A certeza de minha amiga de que eu converteria meus problemas em uma fonte de benefícios realmente veio através de meu trabalho na organização NAMI, onde minha experiência capacita-me  a oferecer encorajamento e suporte a tantos outros afetados por problemas psíquicos. 

Eu sei que muitas correntes religiosas e tradições espirituais  estão representadas aqui hoje. Espero que todos nós possamos juntos em harmonia, oferecer um renovado sentido de importância de nossas considerações espirituais a esse nosso trabalho, criando assim, uma atmosfera de esperança, coragem e confiança para todas as pessoas afetadas por doenças mentais severas.

[Caso deseje maiores informações, você poderá enviar a Maggie um email.]